Em homenagem aos 30 anos da SBQ, ex-presidentes contam a história da entidade sob a ótica do que viveram

- 03/04/2025

A Sociedade Brasileira de Queimaduras completa 30 anos em 6 de junho. Criada com o intuito de inserir o tratamento de queimaduras nos procedimentos de alta complexidade do Sistema Único de Saúde (SUS), a entidade vem fazendo bem mais que isso, atuando em prevenção, capacitação de profissionais e na busca por melhorias no atendimento a vítimas de queimaduras. 

As conquistas alcançadas nos últimos 30 anos são resultado de muitas mãos de profissionais que abraçaram a causa com a vontade real de ver a mudança. Até aqui, foram 10 presidentes à frente da entidade que ainda reuniu outros tantos nas diretorias nacional e regionais. 

Para contar a história da SBQ sob a ótica de quem construiu ela, iniciamos uma série de entrevistas com os ex-presidentes em ordem cronológica. O primeiro é o médico Nelson Sarto Piccolo, que ficou no cargo em duas gestões seguidas, entre os anos de 1996 e 1999. 


SBQ- O senhor foi o primeiro presidente da SBQ e ficou à frente da instituição até 1999. O que o motivou a presidir a SBQ?

A fundação da SBQ resultou de um grupo de pessoas altamente interessadas que sabiam que existia uma necessidade de se criar uma entidade onde todos  aqueles que labutam nesta área, a equipe multidisciplinar que trata o paciente com queimaduras,  fossem representados em uma Sociedade.

Sempre trabalhei em um serviço altamente envolvido no tratamento de pessoas com queimaduras e, já naquela época, tinhamos uma presença constante em discussões com as secretarias de Saúde e no Ministério da Saúde, assim como nas associações de outros paises, principalmente na Associação Americana de Queimaduras e na Sociedade Internacional de Queimaduras. 

Acredito que me tornei o presidente justamente por causa destas situações, visto que a nossa SBQ necessitaria de apoio e reconhecimento destas outras entidades.


SBQ -  Quais foram as maiores dificuldades daquela época?

Justamente obter o reconhecimento como uma Sociedade - uma sociedade agregando os membros da equipe multidisciplinar que trata a pessoa com queimaduras. As  sociedades de especialidade no Brasil sao unidisciplinares, ou seja, abrigam o médico especialista.


SBQ -  E quais foram os maiores avanços que conseguiram naquela época?

A SBQ fez dois congressos nacionais e varios regionais e locais durante estes anos. Os maiores especialistas internacionais e brasileiros, de todas as áreas da equipe multifisciplinar, sempre foram presença constante nestes eventos, trazendo, assim, um intercâmbio único que difundiu significativamente o conhecimento nesta área.

Lançamos as pedras fundamentais e os esforços iniciais para a normatização tanto do tratamento das queimaduras  em centros especializados por uma equipe dedicada,  como  para o ressarcimento financeiro deste tratamento perante as instituições pagadoras e o governo. 

Estes esforços foram continuados pelos próximos presidentes e por suas diretorias, culminando em uma série de benefícios para os nossos pacientes


SBQ-  O que o senhor acha que mais mudou na atenção às vítimas de queimaduras e, também, na questão da prevenção?

Ao longo destes vários anos e através de múltiplos esforços por um número incontável de pessoas, instilou-se nos responsáveis pelo atendimento de urgência das pessoas com queimaduras que é absolutamente necessário que estes pacientes  sejam tratados em um centro especializado por uma equipe dedicada e multidisciplinar - ou seja- tanto o paciente agudo como o que procura tratamento tardiamente terá uma chance melhor de ser encaminhado a um servico especializado.

Estamos longe ainda do ideal, porque neste nosso país continental, ainda faltam centros especializados. A SBQ e seus membros continuam labutando com este objetivo de cada vez mais este paciente ter a oportunidade de ser tratado desta forma.


Sbq- O que representou na sua vida e na sua carreira ter presidido a SBQ?


Representou uma oportunidade contínua de aprendizado, amizade e convivência entre os nossos pares - antes inexistente no Brasil. Aprendi muito com as minhas diretorias e com os meus colegas daquela época, assim como em seguida, com os próximos presidentes, suas diretorias e os membros que foram chegando.


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