Maria Leonor Paiva, segunda vez presidente da SBQ RN

- 23/10/2025

Em seu segundo mandato como presidente da Sociedade Brasileira de Queimaduras da regional Rio Grande do Norte, a enfermeira Maria Leonor Paiva atua com vítimas de queimaduras desde 1991, quando foi convidada a assumir a unidade de queimados do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel.

Neste bate-papo, ela conta essa trajetória profissional e destaca os desafios e prioridades estando à frente da SBQ regional.

 

SBQ – Pode nos contar sua trajetória profissional?

Sou enfermeira, mestre em enfermagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, graduação em licenciatura plena em enfermagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e graduação em enfermagem e obstetrícia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.


Atualmente sou docente do curso de graduação em enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, na Faculdade de Ciências da Saúde do Trairi e doutoranda em Ciências da Saúde pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte.


Trabalhei na Fundação Monsenhor Walfredo Gurgel, no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel- HMWG (1987-2010). Nos primeiros quatro anos trabalhei na equipe técnica da Secretaria Estadual de Saúde, depois fui para o hospital onde iniciei como enfermeira do andar cirúrgico e no ano de 1991 fui convidada para assumir a unidade de queimados, que era uma enfermaria no 5º andar do referido hospital, sem nenhuma estrutura para um Centro de queimados.


Por 19 anos trabalhei atuando na assistência à saúde ao paciente queimado. Durante esse período, me capacitei para adquirir novos conhecimentos e prestar uma assistência de qualidade a esses pacientes.

 

SBQ – Dentro dessa trajetória de atuação junto aos queimados, há algo que gostaria de destacar?

Participei da luta na instituição junto ao Governo do Estado para termos um espaço físico, com recursos humanos qualificados e equipamentos adequados para atuar na assistência do paciente queimado com equipe multiprofissional. 


Depois de idas e vindas ao Gabinete do Governo, em 2001, conseguimos o tão sonhado Centro de Tratamento de Queimado (CTQ). Trabalhamos mais alguns anos para que o HMWG tivesse o reconhecimento do CTQ e, com isso, conseguimos credenciar, junto ao Ministério da Saúde, a Alta Complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Foram muitos anos de dedicação onde crescemos juntos.

 

SBQ- Como conheceu SBQ?

Quem me apresentou a SBQ foram os profissionais médicos do CTQ, quando ainda era apenas uma Unidade de Queimados. E fiquei conhecendo mais a SBQ em um congresso de queimados no ano de 1996, em Fortaleza.

 

SBQ-  O que te motivou a fazer parte da diretoria e se candidatar para a presidência regional do RN?

A missão da SBQ “difundir ações que possam proporcionar atendimento qualificado ao paciente com queimaduras e atuando junto ao poder público e sociedade civil em campanhas que promovam a prevenção de acidentes. E promove Programa educação continuada para equipe multiprofissional para disseminar conhecimento e protocolos de tratamento. Com outras parcerias interinstitucionais e organizações voluntárias, procura dinamizar a prevenção de queimaduras e fomento de políticas públicas nesta área específica. ”


Eu sempre me preocupei com a assistência ao paciente queimado e por isso que me motivei a participar da SBQ para compreender como posso melhorar este cuidado, participando de cursos e quando possível de congressos.

 

SBQ- Quais são as maiores dificuldades para lidar com queimaduras no Estado, tanto de prevenção quanto de atendimento a vítimas?

Uma das maiores dificuldades está relacionada à condução do primeiro atendimento ao paciente queimado nas instituições de saúde do interior do estado, onde sentimos que falta capacitação dos profissionais de saúde que atendem essa população.


Outra dificuldade é a falta de recursos humanos no CTQ e equipamentos. Também observo que falta informação da população quanto aos cuidados para evitar queimaduras. E um ponto importante é uma reforma no CTQ que começou há um ano e não foi concluída.

 

SBQ- Como a SBQ pode atuar para tentar melhorar essas coisas? Como tem atuado?

A SBQ poderia promover o desenvolvimento de ações ou projetos voltados para capacitação dos profissionais de saúde e incentivar a gestão de saúde por meio de políticas públicas governamentais a se envolver nesses projetos e melhorar as instituições de saúde com recursos humanos e melhores equipamentos, como também o planejamento na aquisição de insumos (as vezes falta material até para curativo).

Outro ponto que a SBQ pode atuar é ajudar, ou orientar, ou dar suporte na construção de ações para desenvolver campanha de prevenção para evitar acidentes com queimaduras.

 

SBQ -  Tem algum projeto da SBQ regional ou de membros da diretoria regional que você gostaria de destacar por relevância no trabalho com queimaduras?

Desenvolvo um trabalho através do projeto intitulado Educação Permanente: necessidade nos serviços de saúdeO mesmo é desenvolvido por mim e uma equipe da UFRN/FACISA, onde capacitamos os profissionais de saúde das instituições públicas dos municípios do meu estado, quanto ao primeiro atendimento ao paciente queimado e quanto a prevenção de acidentes por queimaduras.


Tenho também outro projeto intitulado “Construção de saberes e práticas de primeiros socorros para crianças e adolescentes nas escolas públicas de Santa Cruz/RN”, onde realizamos primeiro a capacitação dos discentes da UFRN/FACISA que são voluntários do projeto, tendo em vista que precisávamos capacitá-los para que os mesmos sejam multiplicadores de conhecimentos. Esses discentes envolvidos no projeto realizaram essa atividade com aula expositiva e dialogada nas escolas do município. No momento esse projeto não está sendo desenvolvido. Tem também a Associação Pro-queimados/RN que nos ajuda a desenvolver algumas ações.

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