Dinah Ferreira: a dor da queimadura não para quando o fogo se apaga

- 27/04/2026

Um acidente doméstico em uma situação aparentemente boba levou a pedagoga Dinah Ferreira a ficar 32 dias internada e precisar passar por diversas cirurgias por ter ficado com 25% do corpo queimado, com ferimentos de 1º, 2º e 3º graus.

Tudo ocorreu por segundos de distração. Dinah sentiu fome à noite enquanto estava sozinha em casa. Era tempo de pandemia de Covid. Decidiu fritar ovos e batatas. Ela se serviu, foi para o quarto, mas esqueceu de apagar o fogo. Só se deu conta ao sentir o cheiro de óleo queimando.

“Corri até a cozinha, a panela estava pegando fogo! Apaguei o fogo, tampei a panela, abri a porta da cozinha, peguei o pano de prato para segurar os cabos da panela e levá-la para área. Quando eu estava quase chegando na porta, a panela caiu no chão e eu escorreguei e caí em cima do óleo quente”, relembra.

Ela conta que tentou por vezes se levantar e não conseguiu. Então, começou a gritar por socorro, em vão. “Parecia que eu estava sendo frita pelo óleo enquanto tentava levantar. Naquele momento, pedi ajuda do Senhor”, conta Dinah, que é cristã. “Não sei quanto tempo levei para me levantar, mas consegui! Abri a porta e corri para o portão gritando por socorro. Logo estava rodeada de vizinhos que prontamente me socorreram”, conta.

Dinah diz se lembrar do desespero ao ver o pé, as pernas e o antebraço queimados, algumas partes, inclusive, com grandes bolhas. Ainda assim, lembrou-se de uma amiga médica e entrou em contato. “Ela me orientou a entrar debaixo da água ou jogar água gelada”, relata. Em seguida, ela foi para o hospital.

“Ao dar entrada no hospital, meu medo era de que as partes queimadas fossem raspadas. Quando eu estava com os dois braços, as duas pernas e a barriga enfaixadas, perguntei onde faria o próximo curativo. Para minha surpresa, a enfermeira disse que eu precisaria ficar internada. Eu não sabia o risco que estava correndo. Acho que só me dei conta três dias depois, quando fui para o centro cirúrgico fazer o primeiro curativo sedada com anestesia geral”, ressalta.

 

Dinah conta que no sexto dia dentro do hospital, sentiu uma dor que, segundo ela, foi a maior dor física que ela lembra já ter sentido na vida. “Parecia que eu não ia suportar as dores que estava sentindo naquele momento”, lembra.

Dificuldades

Durante a internação, ela fez acompanhamento psicológico e seguiu fazendo mesmo após a alta. Um dos principais medos era se levantar e estragar os curativos. “Fiquei deitada, sem me levantar da cama durante 11 dias, mesmo os médicos e a equipe de enfermagem orientando que eu tinha que andar. Por ficar muito tempo deitada, precisei fazer fisioterapia para poder movimentar as minhas pernas e conseguir andar sem medo de cair”, destaca.

Sobre o que mudou após o acidente, Dinah destaca o fato de não tomar banho de mar e não poder mostrar as pernas, pois as áreas não pigmentaram, fatores complicados para quem é moradora do Rio de Janeiro.

O período de tratamento do acidente foi desafiador, segundo ela. “Eu era uma pessoa independente, boa parte do período de internação, dependia de duas amigas para me dar banho no leito, trocar fraldas, me dar comida na boca”, relembra.

“Uma vez li uma frase que diz mais ou menos assim: a dor da queimadura não para quando o fogo se apaga. Isso me fez refletir que há dores que ninguém percebe que você sente, mas as suas marcas estão ali para te lembrar o que você passou ou a dor física mesmo passando anos ela pode te incomodar”, diz.

Apesar de tudo isso, Dinah diz que fez uma escolha: “Escolhi o amor e cuidado de Deus por mim e seguir o propósito Dele para minha vida, independente das marcas das queimaduras, porque não são essas marcas que me definem e sim o amor Dele por mim”, finaliza.

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