Queimaduras entre crianças: um risco subestimado e frequente

- 10/10/2025

Energia e curiosidade as crianças têm de sobra e essa mistura pode ser perigosa quando não há supervisão de um adulto. Quando algo falha, o resultado é visível nos números: em 2024, 121.933 crianças e adolescentes até 14 anos foram internados vítimas de acidentes. As quedas representam 44%. Em seguida, as queimaduras, com 19%, ficando a frente de acidentes de trânsito e intoxicações. Os dados são da Aldeias Infantis SOS, levantados por meio do DataSus. 

Estudos epidemiológicos colocam que a incidência de queimaduras é maior entre crianças abaixo de 4 anos. A pele mais fina e delicada desses pequenos favorece que queimaduras ocorram com menor exposição térmica. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, entre 2022 e 2023, foram 6,4 mil hospitalizações de crianças de 1 a 4 anos de idade em razão de queimaduras e 700 mortes em 2021 e 2022. 

De acordo com a Sociedade Brasileira de Queimaduras, 70% dos acidentes ocorrem dentro de casa. Por isso, é importante deixar este ambiente seguro. Em crianças menores — sobretudo de 0 a 3 anos — o mecanismo mais frequente é a escaldadura, causada por líquidos quentes ou vapor.

Apesar de representarem uma parcela menor frente às escaldaduras, queimaduras por chama ou líquidos inflamáveis tendem a ser mais graves e ocupam maior área corporal.

Estudos globais apontam que intervenções de educação, modificações ambientais - como instalação de alarmes de fumaça, regulagem de temperatura da água, barreiras em fogões - e campanhas preventivas podem reduzir significativamente a incidência de queimaduras infantis. 

Outro ponto importante: pesquisas indicam que cerca de 6% dos casos de queimaduras em crianças têm relação com maus-tratos (não acidentais). Portanto, toda queimadura infantil deve ser avaliada com atenção ao contexto.

Com vigilância adequada, educação preventiva e preparação para agir nos primeiros minutos, muitos acidentes podem ser revertidos sem sequelas graves. É papel de pais, cuidadores, escolas e sistemas de saúde intensificar esse alerta.

 

O que fazer se houver acidente com queimadura?


  1. Retire     a criança da fonte de calor ou risco: afaste o agente (liquido quente, chama, superfície     quente etc.).
  2. Cesse     a ação do calor:     resfrie a área queimada com água corrente fria e limpa (não gelada) por     cerca de 10 a 20 minutos — sem usar gelo, manteiga, pasta ou produtos     caseiros.
  3. Cubra     com material limpo e leve:     gaze estéril ou pano limpo sem fiapos.
  4. Não     rompa bolhas nem aplique pomadas sem prescrição médica.
  5. Procure     atendimento médico imediato     se a queimadura:
         • for de espessura profunda (2º grau extenso ou 3º grau)
         • cobrir área grande ou locais críticos (face, mãos, pés, perna, região     genital)
         • estiver associada a inalação de fumaça ou lesões respiratórias
         • for elétrica ou química
         • envolver criança muito pequena
         • houver sinais de infecção (vermelhidão intensa, secreção, dor     crescente)
  6. Durante     o transporte,     mantenha a vítima em repouso, coberta e, se possível, com analgesia leve.
  7. Atenção     psicológica e suporte:     queimaduras causam dor intensa e impacto emocional. Crianças e familiares  precisam de acolhimento.

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