Fernanda Gazola: “a vida de um sobrevivente de queimaduras é recomeçar todos os dias”

- 24/09/2025

A data era 12 de novembro de 2007. Parecia mais um dia normal de trabalho na vida de Fernanda Gazola. Mas um fato mudou sua vida para sempre: uma explosão provocada pela junção de fogo e solvente numa fábrica de calçados, no Rio Grande do Sul. 

“Ao queimar um fio de linha com isqueiro começou a pegar fogo. Eu fui retirar o solvente que estava em uma garrafa pet cortada e foi onde explodiu tudo. Eu virei uma bola de fogo, alguns colegas tentaram apagar, mas sem resultados, até que alguém pegou o extintor e apagou”, relembra Fernanda.

Ela conta que aguardou socorro deitada na porta de entrada da fábrica. Os primeiros socorros foram prestados pelos bombeiros, que a levaram a um hospital local, onde induziram o coma e a transferiram para a ala de queimados do Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre. 

“Foram 45 dias em coma  e um total de quatro meses de internação. Foram feitos mais de 40 procedimentos, como enxertos”, conta ela, que teve mais de 80% do corpo queimado e apenas 1% de chance de sobreviver. 

Desde então, acompanhamento psicológico, com fonoaudiologia, fisioterapeuta, oftalmologista, nutricionista e muitas sequelas. “Tive perda de membros como dedos das mãos, partes da orelha, olhos retraídos. A vida mudou totalmente após o acidente. Tive que me adaptar e aprender a viver novamente na sociedade, pois as queimaduras ficaram muito visíveis”, destaca Fernanda.

Mas nada disso impediu que ela continuasse a ter uma vida ativa. “Hoje participo, sempre que possível, em cursos para sair um pouco, procuro ocupar meu tempo com coisas que consigo fazer. A gente se adapta e aprende viver. Basta querer”, comenta. 

Ela fala que a vida de um sobrevivente de queimaduras é recomeçar todos os dias. “A dor física e emocional só nós sabemos. Se cuidem e cuidem de quem vocês amam. Prevenção é o melhor remédio”, alerta ela, que acompanha a Sociedade Brasileira de Queimaduras desde o acidente e diz ser de suma importância o trabalho de prevenção promovido pela entidade.


Para ela, além da prevenção, ainda faltam políticas públicas a favor das vítimas, dando a elas mais direitos e opções de tratamento. 

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