Rio Grande do Norte e Minas Gerais se mobilizam para organizar fluxo de atendimento ao queimado

- 24/02/2022

Melhora no atendimento e redução de custos aos cofres públicos. Em resumo, são esses os principais benefícios de se organizar o fluxo de atendimento ao paciente queimado na rede pública de saúde de todo o país. A tarefa não é fácil, mas é preciso começar. Minas Gerais e Rio Grande do Norte já se adiantaram e dão os primeiros passos.

Dados coletados por uma equipe do Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Walfredo Gurgel, em Natal, mostram a importância dessa organização: 65% dos pacientes encaminhados à unidade eram de cinco municípios da região metropolitana e destes, cerca de 3% precisavam ficar internados; o restante eram apenas retorno e curativos.

“Isso significa que menos de 5% dos pacientes deveriam ser encaminhados à alta complexidade. As queimaduras de menor porte podem e devem ser atendidas na atenção básica ou de média complexidade. Levamos esses dados a um grupo de profissionais para organizar a rede de atenção a queimados dentro da rede de urgência e emergência do estado”, conta a diretora-científica da Regional RN da Sociedade Brasileira de Queimadura, Raquel Dié Maia.

Por lá, eles já conseguiram incluir o atendimento a queimados no complexo regulador do estado (que atualmente contempla a região metropolitana), implementaram o sistema de boletim eletrônico – que vai facilitar na coleta de dados - e fizeram uma capacitação com profissionais da regulação, para ensinar itens como os critérios de transferência de pacientes queimados.

Importância – Conforme lembra a coordenadora do Centro de Tratamento de Queimados do Hospital João XXIII, Kelly Danielle de Araújo, quando foi publicada a portaria 1.273 definiu-se como seria a alta complexidade, mas não foi dito como seria para a média complexidade. “E é isso que estamos fazendo, tentando definir como seria esse fluxo para o médio queimado e o acesso ao grande queimado”, conta.

No momento, o estado está fazendo o levantamento de quais hospitais poderiam receber o médio queimado, com o que deveriam ser equipados, delimitando como seria em termos de equipe, material e fazendo a estratificação do nível de queimadura do paciente.

“Estamos tentando usar a rede que existe, mas precisamos saber como eles estão de equipe e pessoal. E queremos que a SBQ entre com treinamentos e capacitações”, complementa Kelly.

Ela explica que, atualmente, o CTQ está dando apoio no teleatendimento para fazer a classificação adequada do paciente. “Quando as centrais de regulação pedem a vaga, a gente verifica se o paciente está bem indicado para um CTQ”.

A principal vantagem de toda essa organização é saber para onde levar o paciente de acordo com a sua necessidade, diminuindo riscos de agravamento e os gastos com deslocamentos desnecessários.


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