- 09/10/2026
Há pouco mais de um ano, o uso de membrana amniótica foi incorporado ao Sistema Único de Saúde para tratamento de queimaduras. A terapia acelera a cicatrização e reduz o risco de infecções. Porto Alegre, no sul do país, é destaque no uso desse curativo biológico.
O Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre foi a primeira unidade a realizar um transplante de membrana amniótica em uma criança no Brasil após a incorporação oficial da técnica pelo Ministério da Saúde ao SUS. Desde então, segundo a cirurgiã-plástica do hospital, Mariana Cioffi, dos 100 envios de membrana de 2026 no estado, 61 foram para a unidade.
“Estávamos usando apenas nas lesões de 2º grau em crianças. Agora iniciamos o uso na área doadora. Temos resultados excelentes, tanto no benefício ao paciente como na redução de custos hospitalares”, destaca.
No início deste mês de outubro, a presidente da Sociedade Brasileira de Queimaduras, a cirurgiã plástica Kelly de Araújo, participou da primeira cirurgia com o uso do MEEK no Rio Grande do Sul e também foi utilizada a membrana amniótica.
Pioneirismo
O cirurgião plástico Eduardo Mainieri Chem, diretor do Banco de Tecidos Dr. Roberto Corrêa Chem da Santa Casa de Porto Alegre, é uma das principais referências no Brasil na defesa e no uso do transplante de membrana amniótica como curativo biológico no tratamento de queimaduras. Inclusive, segundo Mariana Cioffi, foi por influência dele que passaram a adotar no HPS a membrana na área doadora.
Na Santa Casa, em 2025 foram feitas 36 captações de membrana e 16 envios. Já neste ano, foram 138 captações e 69 envios até início de setembro de 2026.
O uso da membrana amniótica no tratamento de queimaduras já era realizado no Brasil desde a década de 2000, mas de forma pontual e sem regulamentação específica, dependendo de autorizações excepcionais em casos de urgência. A publicação do novo marco regulatório do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), em 2025, mudou esse cenário ao estabelecer normas claras para o procedimento, ampliando a segurança, padronizando os critérios de utilização e garantindo sua oferta no âmbito do SUS.
“A incorporação do transplante de membrana amniótica ao SUS representa importante avanço na ampliação do acesso a terapias reparadoras, contribuindo para a redução de complicações, a recuperação tecidual, a qualidade de vida e a integralidade do cuidado", destaca a coordenadora-geral do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) do Ministério da Saúde, Patrícia Freire.