Live debate riscos de queimaduras e urgência nos investimentos em prevenção

- 03/06/2020

Encontro virtual reuniu a Frente Parlamentar em Defesa da Prevenção de Queimaduras e membros da SBQ


A live realizada na noite desta terça-feira (2) foi marcada pelo papo entre o presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Prevenção de Queimaduras e Atenção Global ao Paciente Queimado, o deputado federal Roberto de Lucena (Podemos/SP) e os médicos da Sociedade Brasileira de Queimaduras, José Adorno, Marco Almeida, Maria Cristina do Valle e Luiz Philipe Molina. A conversa fluiu sobre a situação de acidentes com queimaduras e suas vítimas. 


O objetivo da live foi buscar sensibilizar os ouvintes sobre o tema. “A pandemia devido ao coronavírus atrasou a agenda de ações pretendidas pela Frente, mas é muito importante que o tema não seja engavetado. Mesmo neste momento difícil, precisamos trabalhar para as políticas públicas saírem do papel e para que possamos lembrar a sociedade e autoridades sobre isso”, alertou o deputado.


O cirurgião plástico, representante internacional da SBQ, Luiz Philipe Molina, destacou que o apoio da frente parlamentar veio em um momento muito simbólico, quando a entidade comemora 25 anos de lutas e conquistas em prol dos pacientes queimados. 


“Temos um milhão de vítimas de queimaduras no País, que se não matam, deixam muitas sequelas e muitos desses pacientes se tornam invisíveis para a sociedade, pois se escondem por vergonha. Ainda, muitas vítimas crianças, o que é muito grave. Por isso, esse momento é único, pois com a ajuda da Frente conseguiremos diminuir ou até cessar os casos de queimaduras no Brasil”, ressaltou Molina.


A queimadura é uma epidemia permanente e silenciosa e precisa de um trabalho constante para diminuir os casos, pois cerca de 300 mil pessoas morrem por queimaduras no mundo. As crianças representam 40% dos acidentados, o que preocupa ainda mais os especialistas.


Liberação do álcool líquido 70% - A pediatra Maria Cristina Valle destacou que as crianças ficaram mais fragilizadas com a pandemia devido ao novo coronavírus, pois estão mais em casa, o que aumenta o risco de acidentes com queimaduras, principalmente com o uso do álcool 70%. “Todos os cuidados são essenciais neste momento, pois as crianças estão muito expostas aos riscos”, observou a médica.


O presidente da SBQ, José Adornou, destacou que 300 pessoas, até o momento, foram internadas devido à queimadura por álcool 70%, desde a liberação da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) para comercialização do produto, em 19 de março de 2020. “Em 2002 começamos uma luta junto ao Congresso para proibição da venda de álcool líquido em grandes quantidades e demoramos 10 anos para conseguir isso. Então, quando houve a liberação, ficamos muito preocupados e fizemos manifestação para a medida emergencial ser de até seis meses e a campanha de prevenção aumentar”, explicou.

Os especialistas alertaram para a cultura errada do uso do álcool, pois tem muita gente passando o produto no corpo e se aproximando do fogo, em atos simples, como acender um cigarro. “A educação é o caminho para a gente avançar em todos os setores, inclusive nas queimaduras. Temos projetos para implementar isso e seria muito importante conseguirmos força para dar continuidade a isso”, afirmou Luiz Philipe Molina.


Congresso Nacional iluminado - No dia 2, o Senado Federal passou a ser iluminado na cor laranja e no dia 5, a Câmara também será iluminada, mantendo assim durante todo o mês. “As pessoas com queimaduras merecem nosso respeito e nosso abraço, por isso a simbologia adotada pelo Congresso é tão importante. Precisamos mostrar nosso apoio a essa causa”, observou Roberto de Lucena.

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